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Orçamento de obra: do custo por m² ao orçamento executivo

Como fazer orçamento de obra: tipos por nível de projeto, CUB, SINAPI, composição de custo unitário, BDI e curva ABC, com exemplo completo.

Equipe técnica ControllAI · metodologia The Controller · revisado por Thiago Soares, fundador da The Controller Engenharia · atualizado em · 25 min de leitura

Resposta direta: orçamento de obra é a previsão do custo e do preço de uma construção, feita com o nível de detalhe que o projeto permite. No início, multiplica-se a área por um custo de referência por m², como o CUB. Com o projeto definido, monta-se o orçamento discriminado: estrutura de serviços (EAP), quantitativos com memória de cálculo, composições de custo unitário, custo direto, BDI e preço final, conferido pela curva ABC.

Este guia é para o orçamentista, o engenheiro de obra, o arquiteto que estima o custo para o cliente e a pequena construtora que fecha preço. Ele mostra qual orçamento usar em cada fase, como usar CUB e SINAPI sem armadilhas, como montar composição e BDI, e traz um exemplo completo com dados fictícios. Para a estimativa inicial em detalhe, veja Orçamento paramétrico de obra: quando usar, quando não usar e como fazer. Para o que acontece depois que a obra começa, veja Previsão de custo final da obra.

Quais são os tipos de orçamento de obra?

Os tipos de orçamento se diferenciam pelo nível de informação disponível: estimativa por m², orçamento paramétrico e orçamento discriminado (ou executivo). Quanto mais definido o projeto, mais detalhado o orçamento e menor a incerteza do resultado.

Não existe orçamento “certo” em abstrato, e sim adequado à decisão que ele apoia: a estimativa por m² serve para decidir se vale comprar o terreno, não para assinar uma empreitada.

TipoO que precisa de projetoPara que serveNível de incerteza
Estimativa por m² (CUB ou referência própria)Programa de necessidades, área aproximada e padrão de acabamento pretendidoPrimeira conversa com o cliente, estudo de viabilidade, ordem de grandezaMaior: não enxerga fundação, terreno, sistemas nem especificações
Orçamento paramétricoEstudo preliminar ou anteprojeto, com quadro de áreas por tipo (privativa, comum, garagem, subsolo) e características principais (pavimentos, contenções, fundação provável)Definir verba, comparar alternativas de projeto, ajustar o programa ao dinheiro disponívelIntermediária: capta as diferenças entre áreas e os itens fora do padrão, mas ainda sem quantidades por serviço
Orçamento discriminado ou executivoProjetos básicos ou executivos de todas as disciplinas, memoriais descritivos e especificaçõesFechar preço, licitar ou contratar, programar compras, medir e controlar a obraMenor: cada serviço tem quantidade, composição e preço rastreáveis

Duas observações para não confundir os termos:

  • Nenhum orçamento é exato. A publicação do Tribunal de Contas da União sobre planilhas orçamentárias de obras públicas lembra que todo orçamento é uma aproximação, que deve ser tão precisa quanto possível, e que mais precisão exige mais levantamentos e mais custo para orçar.
  • A incerteza não é só do método. Um orçamento discriminado feito sobre projeto incompleto herda as lacunas do projeto. Em obras públicas, a Lei 14.133/2021 coloca o orçamento detalhado, fundamentado em quantitativos de serviços e fornecimentos propriamente avaliados, entre os elementos do projeto básico.

Orçamento sintético ou analítico: qual a diferença?

O orçamento sintético é a planilha com os serviços, as unidades, as quantidades, os preços unitários e os totais. O analítico é o mesmo orçamento acompanhado das composições de custo unitário de cada serviço, que mostram de onde vem cada preço.

O sintético é o que o cliente lê; o analítico é o que permite conferir e negociar. Sem as composições, não dá para ver se a alvenaria está cara por causa do bloco, da produtividade ou da mão de obra.

O que é o CUB e como usar no orçamento?

O CUB (Custo Unitário Básico) é um custo por metro quadrado de construção, calculado mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil (Sinduscons) de cada estado, para projetos-padrão definidos por tipologia e padrão de acabamento. Ele serve como referência para estimativas iniciais, mas não é o preço da obra.

Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o CUB é usado como base para o registro de incorporações, como mecanismo de reajuste em contratos de compra de imóveis na planta e como referência por bancos de financiamento imobiliário. As publicações dos Sinduscons indicam como base a Lei 4.591/1964, a lei das incorporações, e a ABNT NBR 12721, norma que trata da avaliação de custos unitários de construção para incorporação imobiliária.

Na estimativa, escolha o projeto-padrão mais próximo da obra, multiplique a área pelo CUB do mês e do estado e some à parte o que o CUB não inclui. Para áreas de custo muito diferente, como garagem e área privativa, a NBR 12721 usa o conceito de área equivalente.

O que não está incluído no CUB?

O CUB não inclui, entre outros, fundações e contenções, elevadores, vários equipamentos e instalações, obras complementares, impostos e taxas, projetos e a remuneração do construtor e do incorporador. Esses itens precisam ser orçados à parte, conforme o projeto de cada obra.

As tabelas publicadas pelos Sinduscons trazem a lista dos itens não considerados no cálculo. Em resumo:

GrupoExemplos de itens fora do CUB
Fundações e contençõesFundações, submuramentos, paredes-diafragma, tirantes, rebaixamento de lençol freático
Transporte verticalElevadores
Equipamentos e instalaçõesFogões, aquecedores, bombas de recalque, incineração, ar-condicionado, calefação, ventilação e exaustão
Áreas externas e complementaresPlayground (quando não computado como área construída), urbanização, recreação (piscinas, quadras), ajardinamento, instalação e regulamentação do condomínio
Despesas e serviçosImpostos, taxas e emolumentos cartoriais; projetos arquitetônico, estrutural, de instalações e especiais
RemuneraçõesRemuneração do construtor e remuneração do incorporador

Esse é o erro mais caro na estimativa por m²: apresentar “área × CUB” como custo da obra. Com fundação profunda, subsolo ou elevadores, a diferença pode mudar a decisão de viabilidade.

Outro detalhe: há Sinduscons que divulgam o CUB também numa versão desonerada, calculada com outra regra de encargos sobre a folha. Confira qual versão você está usando e registre isso nas premissas.

Por que nunca fixar o valor do CUB?

Porque o CUB muda todo mês e é diferente em cada estado e em cada projeto-padrão. Um valor copiado de um site ou de um grupo, sem mês e sem estado, não pode ser atualizado nem comparado.

Por isso, este guia não traz valor de CUB. Consulte o valor no site do Sinduscon do seu estado e cite o mês e o projeto-padrão na estimativa. Para fazer a conta com o valor que você consultou, use a Calculadora de custo por m², ferramenta grátis que roda no seu navegador: você informa a área, o padrão e o CUB do mês, e ela mostra a estimativa e a lista do que fica de fora.

O que é o SINAPI e quando usar?

O SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) é uma base pública de preços de insumos, composições de serviços e índices de custo, produzida em conjunto pelo IBGE e pela Caixa Econômica Federal. É a referência obrigatória de custos para a maior parte das obras públicas e uma fonte útil de composições para qualquer orçamento.

A divisão de papéis é clara: o IBGE faz a coleta de preços, a apuração e o cálculo; a Caixa define e mantém a base técnica de engenharia, com projetos, cadastro de insumos e composições. As séries são mensais e cobrem todas as unidades da federação.

Quando o SINAPI é obrigatório e quando é só referência?

Em obras públicas, ele é a referência legal. A Lei 14.133/2021 (art. 23, § 2º, I) prevê que o valor estimado de obras e serviços de engenharia use composições de custo unitário menores ou iguais à mediana do item correspondente no SINAPI, exceto em infraestrutura de transportes, que usa o Sicro. O Decreto 7.983/2013 tem regra no mesmo sentido para orçamentos de referência com recursos federais.

Em obras privadas, o SINAPI não é obrigatório, mas é útil como ponto de partida para composições (ajuda a não esquecer componentes do serviço), como referência de preço de insumo enquanto não há cotação e como conferência: se a sua composição está muito diferente da de referência, explique por quê.

Que cuidados tomar ao usar o SINAPI?

Os cuidados principais são respeitar a data-base, escolher entre preço desonerado e não desonerado, adaptar a composição à realidade da obra e considerar o local.

  1. Data-base. Todo preço tem mês e local de referência. Não misture, no mesmo orçamento, insumos de meses diferentes sem atualização, e registre a data-base no título da planilha e em cada composição, como recomenda o TCU.
  2. Desonerado × não desonerado. O IBGE disponibiliza as séries com e sem a desoneração da folha de pagamento, que muda os encargos sociais sobre a mão de obra. A escolha depende do regime tributário de quem vai executar a obra e, em licitações, do que o edital determina. As regras de desoneração mudam com a legislação: confirme a situação vigente antes de escolher.
  3. Adaptar à realidade da obra. Os coeficientes de uma composição de referência refletem uma forma de execução. Se a sua obra usa outro sistema, outro equipamento ou tem condição de acesso muito diferente, a composição precisa ser revista, e a revisão, justificada.
  4. Local. Os preços do SINAPI são pesquisados principalmente nas capitais e regiões metropolitanas. Em cidades do interior, logística e mão de obra podem ter custos diferentes.

Como fazer orçamento de obra discriminado, passo a passo?

O orçamento discriminado segue uma sequência fixa: estrutura de serviços (EAP), levantamento de quantitativos, composições de custo unitário, preço dos insumos, custo direto, BDI e preço de venda, com a curva ABC como conferência final. Pular etapas é o que gera orçamento que não fecha com a obra.

  1. Monte a EAP (estrutura analítica do projeto). Divida a obra em etapas e serviços, do canteiro à limpeza final. A EAP é o esqueleto do orçamento, e convém que seja a mesma do cronograma e do controle de custos, para que orçado, contratado e realizado possam ser comparados item a item. Veja como a mesma estrutura alimenta o prazo em Cronograma de obra do zero e no guia de planejamento de obras.
  2. Levante os quantitativos com memória de cálculo. Para cada serviço, meça a quantidade no projeto, na unidade do serviço (m², m³, kg, un), e registre de onde veio cada número: prancha, eixo, pavimento, fórmula, critério de desconto de vãos. Sem memória de cálculo, ninguém consegue revisar o quantitativo, nem você daqui a três meses.
  3. Monte ou escolha a composição de custo unitário de cada serviço. A composição lista os insumos (materiais, mão de obra, equipamentos), o coeficiente de cada um por unidade de serviço e o preço unitário. Veja a próxima seção.
  4. Defina o preço dos insumos, com fonte e data. Cotações de fornecedores, histórico de compras da empresa ou referência pública (SINAPI, tabelas estaduais). Os insumos de maior peso merecem cotação; os demais podem usar referência.
  5. Calcule o custo direto. Para cada serviço, quantidade × custo unitário da composição. A soma é o custo direto da obra.
  6. Trate os custos indiretos de forma explícita. Administração local (equipe da obra, canteiro, consumo de água e energia, mobilização) entra como itens próprios da planilha ou dentro do BDI, mas nunca nos dois. Em obras públicas, siga a orientação do TCU e do edital.
  7. Aplique o BDI e chegue ao preço. O preço de venda é o custo direto multiplicado por (1 + BDI). O BDI cobre as despesas indiretas, os tributos sobre o preço e a remuneração do construtor.
  8. Confira com a curva ABC. Ordene os serviços e os insumos pelo valor e revise com mais rigor os que concentram a maior parte do custo.

O que é composição de custo unitário?

Composição de custo unitário é a “receita” de uma unidade de serviço: quais insumos ela consome, em que quantidade (o coeficiente) e a que preço. O custo unitário do serviço é a soma de coeficiente × preço de cada insumo.

Os coeficientes são de dois tipos:

  • Consumo de material: quantidade de material por unidade de serviço. Por exemplo, blocos por m² de parede, já com a perda prevista.
  • Produtividade de mão de obra e equipamento: horas por unidade de serviço. Por exemplo, horas de pedreiro por m² de parede.

Um ponto que gera erro com frequência é a perda de material. O levantamento de quantitativos mede a quantidade geométrica do projeto: a área da parede, o volume da laje. A perda entra uma única vez, no coeficiente de consumo da composição ou na lista de compra, nunca nas duas. Se o quantitativo já vem “com folga” e a composição também tem perda, a obra fica orçada acima do real, e o controle de perdas na execução perde a referência.

Cada coeficiente e cada preço precisam de fonte e data-base: coeficiente sem origem é palpite com aparência de cálculo.

O que é BDI e o que entra nele?

BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) é o percentual aplicado sobre o custo direto para chegar ao preço de venda. Ele cobre o que não está nos serviços da planilha: rateio da administração central, riscos, seguros e garantias, despesas financeiras, tributos sobre o preço e o lucro.

O Decreto 7.983/2013, que trata de orçamentos de referência de obras com recursos federais, define o BDI como o percentual que incide sobre o custo global de referência e exige que a composição dele mostre, no mínimo:

ParcelaO que cobre
Rateio da administração centralA parte da estrutura da sede da empresa (diretoria, escritório, setores de apoio) que cabe a esta obra
Risco, seguro e garantia do empreendimentoImprevistos que a empresa assume, seguros e garantias exigidos no contrato
Tributos sobre o preço do serviçoTributos que incidem sobre o faturamento, excluídos os de natureza direta e personalística
LucroA remuneração da empresa pelo serviço

Na prática do mercado, é comum incluir também uma parcela de despesas financeiras, que representa o custo de a empresa financiar a obra entre o desembolso e o recebimento.

Não existe um BDI “padrão” que sirva para qualquer obra. O percentual depende do porte da obra, do regime tributário da empresa, do município (por causa do ISS), do prazo, do fluxo de pagamentos e do risco assumido. Em obras públicas, consulte as orientações vigentes do TCU e o edital antes de definir o seu.

Por que não basta somar as parcelas do BDI?

Porque os tributos incidem sobre o preço de venda, e não sobre o custo. Se você soma o percentual de tributos às demais parcelas como se incidisse sobre o custo, o preço fica abaixo do necessário e a diferença sai do lucro. O exemplo completo, mais abaixo, mostra a conta.

Para que serve a curva ABC no orçamento?

A curva ABC ordena os serviços ou os insumos do orçamento do maior para o menor valor, com o percentual acumulado, para mostrar onde o custo se concentra. Ela indica onde a revisão do orçamento e a negociação de compras mais rendem.

O TCU descreve dois usos: a curva ABC de serviços, que ordena os itens da planilha pelo preço total, e a curva ABC de insumos, que soma os materiais, a mão de obra e os equipamentos de todas as composições e os ordena pela relevância. A segunda ajuda na pesquisa de preços e no planejamento de equipes e equipamentos.

Na revisão, os poucos itens da classe A, que concentram a maior parte do valor, são conferidos um a um (quantitativo, composição e preço cotado); os da classe B, por amostragem; e os muitos itens da classe C, só para garantir que nada relevante ficou de fora.

A mesma lógica vale durante a obra: os itens da classe A são os primeiros a contratar e os que mais pesam na projeção do custo final, como mostra o artigo sobre previsão de custo final da obra. Na contratação, o preço só é comparável quando o escopo é comparável, tema de Quadro de Concorrência: comparar preço sem comparar escopo é armadilha.

Exemplo completo: da estimativa por m² ao preço com BDI (dados fictícios)

Todos os valores deste exemplo são fictícios e ilustrativos. Eles servem para mostrar a conta e não são referência de mercado, de CUB, de SINAPI nem de BDI. Use sempre os valores da sua região, da sua data-base e da sua empresa.

Obra fictícia: casa térrea de padrão médio, com 300 m² de área construída, em terreno plano.

a) Estimativa por m² com o CUB

Na fase de viabilidade, só existem o programa e a área. O profissional consulta o CUB do mês no Sinduscon do estado, para o projeto-padrão residencial unifamiliar mais próximo.

  • CUB usado no exemplo: R$ 2.500,00/m² (valor ilustrativo; consulte o do seu estado e mês).
  • Para simplificar, toda a área é tratada com o mesmo padrão. Em projetos reais, áreas de custo diferente entram pela área equivalente da NBR 12721.
ItemCálculoValor (R$, fictício)
Base CUB300 m² × R$ 2.500,00/m²750.000,00
Fundações (fora do CUB)Verba estimada à parte60.000,00
Projetos e aprovações (fora do CUB)Verba estimada à parte35.000,00
Impostos, taxas e emolumentos (fora do CUB)Verba estimada à parte8.000,00
Equipamentos: aquecimento e bombas (fora do CUB)Verba estimada à parte12.000,00
Custo estimado865.000,00
Custo estimado por m²865.000,00 ÷ 300 m²2.883,33

Leitura: os itens fora do CUB somam R$ 115.000,00 e elevam o custo por m² da estimativa para R$ 2.883,33, contra R$ 2.500,00 do CUB usado. Se a obra for contratada com uma construtora, a remuneração dela também fica fora do CUB e precisa ser somada. A estimativa vai ao cliente com as premissas: CUB do mês tal, projeto-padrão tal, padrão médio, terreno plano, o que está incluído e o que está excluído.

b) Uma composição de custo unitário

Com o projeto desenvolvido, o orçamento passa a ser discriminado. Um dos serviços é a alvenaria de vedação com bloco cerâmico de 14 × 19 × 29 cm.

Consumo teórico de blocos: cada bloco ocupa (0,29 + 0,01) m × (0,19 + 0,01) m = 0,06 m², considerando junta de 1 cm. Logo, 1 ÷ 0,06 = 16,67 blocos/m². Com uma perda ilustrativa de 5%, o coeficiente fica 16,67 × 1,05 = 17,50 blocos/m². A perda entra aqui, na composição, e não no quantitativo.

Composição ilustrativa por m² de alvenaria:

InsumoUnidadeCoeficiente (ilustrativo)Preço unitário (R$, ilustrativo)Custo por m² (R$)
Bloco cerâmico 14 × 19 × 29 cmun17,501,6028,00
Argamassa de assentamentom³0,010500,005,00
Pedreiro (custo horário com encargos sociais)h0,7532,0024,00
Servente (custo horário com encargos sociais)h0,4025,0010,00
Custo unitário do serviço67,00

Os coeficientes e preços acima são ilustrativos, escolhidos para a conta ficar clara. Na sua obra, use coeficientes medidos na sua empresa ou de referência conferida, e preços com fonte e data-base.

Quantitativo com memória de cálculo (fictício):

DescriçãoCálculoQuantidade
Paredes de vedação, comprimento total (planta do pavimento, revisão indicada)150,00 m × 2,80 m de altura420,00 m²
Desconto de vãos de portas e janelas (critério de desconto registrado na memória)−36,00 m²
Área de alvenaria384,00 m²

Custo direto do serviço: 384,00 m² × R$ 67,00/m² = R$ 25.728,00.

c) Do custo direto ao preço, com BDI ilustrativo

O orçamento aplica um BDI ilustrativo de 25% (não é referência; o seu depende da empresa, do contrato e do município).

ItemCálculoValor (R$, fictício)
Custo direto da alvenaria384,00 m² × 67,0025.728,00
BDI (25%, ilustrativo)25.728,00 × 0,256.432,00
Preço de venda do serviço25.728,00 × 1,2532.160,00
Preço unitário com BDI67,00 × 1,2583,75 por m²

Conferência: 384,00 m² × R$ 83,75 = R$ 32.160,00. As duas contas chegam ao mesmo resultado.

De onde vieram os 25% (versão simplificada, só para mostrar o efeito dos tributos). Suponha estas parcelas ilustrativas: administração central 4%, riscos, seguros e garantias 2%, despesas financeiras 1% e lucro 8%, todas sobre o custo, somando 15%; e tributos de 8% sobre o preço.

  • A obra precisa cobrir o custo mais 15%: 25.728,00 × 1,15 = R$ 29.587,20.
  • Como 8% do preço vão para tributos, sobram 92% do preço para cobrir esse valor: 29.587,20 ÷ 0,92 = R$ 32.160,00.
  • BDI resultante: 32.160,00 ÷ 25.728,00 − 1 = 25%.

O erro de somar tudo: 15% + 8% = 23%. Com BDI de 23%, o preço seria 25.728,00 × 1,23 = R$ 31.645,44. Descontados os 8% de tributos (R$ 2.531,64), sobram R$ 29.113,80, que é R$ 473,40 a menos do que o necessário (R$ 29.587,20). A diferença sai do lucro. Em obras públicas, a fórmula do BDI e o tratamento de cada parcela seguem a orientação do TCU e do edital; a versão acima existe só para mostrar por que os tributos não se somam como as outras parcelas.

O que o exemplo mostra

A estimativa por m² dá ordem de grandeza para decidir; o orçamento discriminado dá preço rastreável para contratar. Em ambos, cada número tem origem: coeficiente com fonte, preço com data-base, quantidade com memória de cálculo, perda contada uma única vez e BDI calculado, não somado.

Quais são os erros mais comuns no orçamento de obra?

Os erros mais comuns são usar a estimativa por m² como orçamento de contrato, esquecer o que fica fora do CUB, misturar datas-base, copiar coeficientes sem conferir e contar a perda de material duas vezes. Quase todos nascem de número sem origem registrada.

ErroPor que é um problemaComo evitar
Usar o CUB como orçamento de contratoO CUB é referência para projeto-padrão e não inclui fundações, elevadores, projetos, remuneração do construtor e outros itensUse o CUB só na fase de estimativa; para contratar, faça o orçamento discriminado
Esquecer os itens fora do CUBA estimativa fica baixa e a viabilidade, otimistaListe os itens fora do CUB e some cada um como verba separada, com origem
Misturar datas-basePreços de meses diferentes somados distorcem o totalRegistre a data-base de cada fonte e atualize por índice antes de somar
Copiar coeficiente sem conferirO coeficiente de referência pode não refletir o seu sistema construtivo, o acesso ou a produtividade da equipeCompare com o histórico da empresa e justifique as diferenças
Contar a perda duas vezes (ou nenhuma)Perda no quantitativo e na composição infla o orçamento; perda em nenhum dos dois o deixa curtoQuantitativo geométrico; perda só no coeficiente da composição ou na compra
Administração local no BDI e também na planilhaO mesmo custo é cobrado duas vezesDefina um lugar só e escreva a regra nas premissas
BDI “de mercado” copiado de outra obraTributos, prazo, risco e porte mudam de obra para obraCalcule o BDI da obra com as parcelas da sua empresa e do seu contrato
EAP do orçamento diferente da do controleNão dá para comparar orçado, contratado e realizadoUse a mesma estrutura no orçamento, no cronograma e no controle de custos

Quando não usar cada tipo: a estimativa por m² não serve para fechar preço, comprar ou medir; o paramétrico não cobre, sozinho, fundações especiais, contenções, subsolos nem reformas; e o discriminado sobre projeto incompleto passa uma precisão que não tem.

Como fazer isso na ControllAI?

A ControllAI, IA especializada em engenharia e arquitetura com a metodologia The Controller, tem ferramentas para cada etapa do orçamento e do controle de custos. Você informa os dados do seu caso e recebe um rascunho estruturado em minutos, pronto para revisão.

  • Orçamento Preliminar Paramétrico: estima o custo preliminar da obra por áreas e referências de custo, com as premissas escritas, para a fase de viabilidade e a primeira conversa com o cliente.
  • Levantamento de Materiais: levanta materiais com memória de cálculo e consolida a lista de compra a partir das quantidades informadas.
  • Composição de Custo Unitário: monta a composição do serviço (insumos, unidades, coeficientes e preços), deixando visível a fonte de cada valor para você conferir.
  • Curva ABC & Accuracy dos 30 Maiores: classifica os insumos pelo peso no orçamento e confere os 30 maiores, para concentrar a revisão onde o valor está.
  • Previsão de Custo Final: depois que a obra começa, projeta o custo final somando o comprometido à estimativa do restante.
  • Controle de Perdas de Materiais: mede a perda real de materiais contra o consumo teórico e o custo dela, fechando o ciclo com o coeficiente usado no orçamento.

As ferramentas trabalham com os dados que você informa: CUB, preços e coeficientes continuam sendo seus, com fonte e data-base. O resultado é sempre um rascunho: você revisa em minutos o que levaria horas para montar. Para entender onde a IA ajuda e onde ela para em cada etapa, veja o guia de IA na engenharia e na arquitetura; para os termos técnicos de IA, o glossário de IA para engenharia e arquitetura.

A ControllAI gera rascunhos para revisão. A responsabilidade técnica é do profissional habilitado que revisa e assina.

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Comece pela estimativa: faça a conta com o CUB do mês na Calculadora de custo por m². Para seguir até a composição e a curva ABC, veja os planos da ControllAI.

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Perguntas frequentes

Como fazer orçamento de obra? Defina o tipo de orçamento pelo nível do projeto: na fase inicial, área × custo de referência por m² mais os itens fora da referência; com o projeto definido, EAP, quantitativos com memória de cálculo, composições de custo unitário, custo direto, BDI e conferência pela curva ABC.

Como calcular o custo da obra por m²? Multiplique a área pelo CUB do mês, do estado e do projeto-padrão mais próximo, some à parte os itens que o CUB não inclui (como fundações, projetos, taxas, equipamentos e a remuneração do construtor) e divida o total pela área.

O CUB pode ser usado como orçamento da obra? Não para contratar: o CUB é uma referência de custo por m² para projetos-padrão, calculada mensalmente pelos Sinduscons, e não inclui vários itens; ele serve para estimativas iniciais, com premissas e itens excluídos declarados.

Qual a diferença entre CUB e SINAPI? O CUB é um custo global por m² para projetos-padrão, calculado pelos Sinduscons; o SINAPI, do IBGE e da Caixa, traz preços de insumos, composições de serviços e índices, e é a referência legal para a maior parte das obras públicas.

O que é composição de custo unitário? É a relação dos insumos necessários para executar uma unidade de serviço, com o coeficiente de consumo ou de produtividade de cada um e o seu preço; a soma de coeficiente × preço dá o custo unitário do serviço.

O que entra no BDI? No mínimo, o rateio da administração central, riscos, seguros e garantias, os tributos sobre o preço e o lucro, como exige o Decreto 7.983/2013 para obras com recursos federais; na prática, é comum incluir também as despesas financeiras.

Onde entra a perda de material no orçamento? Uma única vez: o levantamento de quantitativos mede a quantidade geométrica do projeto, e a perda entra no coeficiente de consumo da composição ou na lista de compra, nunca nos dois.

Fontes

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